
Comemoração do “Dia do Índio” nas escolas
A escolha do dia 19 de abril é uma referência à data em que lideranças indígenas se reuniram pela primeira vez em assembleia, no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940. Fora do continente americano, a homenagem é feita no dia 9 de agosto, por determinação da Organização das Nações Unidas (ONU).
Na visão de Munduruku, a comemoração nas escolas é, em geral, um equívoco, porque costuma generalizar a diversidade indígena, criando uma imagem equivocada e distante da realidade. “Dessa maneira, as crianças acabam aprendendo a discriminar em vez de se aproximar. Isso naturalmente gera uma desinformação capaz de alimentar o preconceito contra nossos povos.”
A saída seria, então, esquecer o Dia do Índio como data comemorativa e pensar em como aproveitar a ocasião para fazer uma leitura crítica das questões que afetam esses povos. “É importante que as escolas comecem a pensar os indígenas como seus contemporâneos, ou seja, como grupos que estão vivendo este mesmo tempo, com todas as suas facilidades tecnológicas e, mesmo assim, procurando manter vivas suas tradições. Assim, todos poderão perceber que são povos que lutam por dignidade e pelo direito de manter suas formas ancestrais de vida.”
Segundo Munduruku, escritor indígena, atividades como brincadeiras de roda, jogos de cooperação, contação de histórias e confecção de materiais são algumas possibilidades pedagógicas para tratar do assunto, adaptadas à faixa etária dos alunos. “Com isso se trabalham valores humanos, respeito às diferenças, solidariedade. O importante é mostrar às crianças que os indígenas são pessoas normais, com problemas, dificuldades e criatividade. Mas também cheios de vida, imaginação, crenças e respeito pelo meio ambiente.”
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